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riscos_e_rabiscos

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I have a confession to make...

Tenho de confessar-vos que...

 

adorava dobrar filmes de desenhos animados!

 

Ah pois é...! Adoro fazer vozes diferentes, como se fosse para dobrar alguma personagem de um filme animado. Gosto de fazer isto nas aulas sempre que leio algum texto ou alguma história. Acaba por ser muito divertido e uma oportunidade para fazer o gostinho ao dedo.

 

Que engraçado que seria, eu, Pepper aAlves Redol, fazer a voz de uma bonequinha de um filme animado!

Tenham Medo, Muito Medo.

 

 

 

E assim foi! Cumpriu-se o desejo, a histeria colectiva e até os terrores nocturnos. E estavam acompanhados e vigiados e ninguém disse nada. Depois quem as leva, são sempre os mesmos!

 

Então vamos lá descodificar o que está dito acima: um santinho de um menino do meu convento resolveu levar uma pen wireless para a escola. Depois das aulas, foram para uma sala onde podem ver filmes, jogar jogos e fazer brincadeiras e onde está presente uma auxiliar.

 

Ora o aluno da pen resolveu colocá-la no seu Magalhães e sacar uns filmezitos. Com tantos géneros de filmes existentes ao cimo da terra, que tipo de filmes é que os putos foram ver? Pois está-se mesmo a ver… filmes de terror!!!

 

As auxiliares em vez de impedirem as crianças de ver aquilo, entusiasmaram-se e ainda acrescentaram mais pormenores e histórias sangrentas. E isto acaba por ser uma bola de neve pois há sempre um miúdo que acrescenta mais um detalhe sanguinário e outra história arrepiante: ele foi gangs de palhaços assassinos, violadores, carros suspeitos à porta da escola, caras retalhadas.

 

Nessa noite, toda a turma sonhou com as histórias aterradoras dos filmes. Não houve ninguém que não tivesse sido premiado por um pesadelo arrepiante. Levaram a noite aos gritos, a acordar assustados e alguns deles nem conseguiram dormir.

 

Na manhã seguinte, choveram telefonemas de pais para a escola, intrigados com o que teria acontecido e procurando resposta para o comportamento dos filhos.

 

Agora digam lá quem devia levar uma descasca valente, os miúdos ou as auxiliares?

 

O “Plano”

 

 

Ouvi por aí um burburinho a dizer que a violência não tinha aumentado em Portugal, que o pessoal anda a ver é muitos filmes.
 
E eu até concordo. Começando pela minha aventura matinal de sexta-feira… Digam lá que aquilo não foi uma cena de filme? Eu até podia ser um Anjo de Charlie disfarçado de teacher. Imaginem lá eu a fazer piruetas no ar para me safar a um possível atropelamento ou a um choque de bólides!!! E ainda mais… desatar a correr atrás do carro do outro para obrigar a cumprir as regras do código da estrada… Isso é que era! Uau! Tinha sido um sucesso de bilheteira, quer dizer, um falanço da vizinhança em geral.
 
Mas isto não fica por aqui. Motivada e inspirada pela não-violência existente no nosso belo país à beira-mar plantado, achei que deveria fazer algo para animar as hostes. É que esta vidinha anda mesmo monótona, não acontece nada…
 
Ainda ontem vinha do metro uma senhora a bradar aos sete ventos, toda radiante, que pensava que ia ser assaltada por um sujeito mas que afinal não… O que tinha sentido nas suas costas não era a ponta de uma arma mas sim a ponta da mala do senhor. Depois, a pobre mulherzita, caiu na realidade e viu que tinha sido enganada. Isto não se faz… uma pessoa à espera de uma coisa e depois sai outra!
 
Mas como eu estava a dizer, decidi fazer algo para tentar fazer sair o pessoal deste marasmo. Fui ao videoclube, aluguei todos os filmes possíveis e imaginários relacionados com aquilo que tinha em mente e fui abastecer-me de pipocas, batatas fritas e outras coisas de roer. Mas não digam a ninguém! Shiu!
 
Passei todo o fim-de-semana nisto. E cada vez que via um filme mais claro e delineado ficava na minha mente “o plano”.
Pensei, reflecti, tracejei, rabisquei e, por fim. Achei que aquilo tinha pernas para andar.
 
Fui comprar uma peruca loira, uns óculos escuros maiores que a minha cara, uma gabardine creme e um baton vermelho. Sim, porque uma gaja tem de estar bem em qualquer ocasião. Ensaiei “o plano” em casa até estar satisfeita como o tom e convicção da voz.
 
Mal saio à rua e entro no carro, sou inundada pela rádio de várias notícias de assaltos aqui e acolá. Fiquei para morrer. Mas afinal o que se passa aqui? Esteve toda a gente a fazer o mesmo que eu no fim-de-semana? Ou será que me roubaram “o plano”? Desconfio é que ando a ser enganada quando me dizem que não se passa nada, e que não há violência e tal e coiso… então em que ficamos?!